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- > “Política 2.0” reúne mais de 150 em debate sobre novos canais de organização e expressão
Por Carolina Stanisci
Será que os novos canais de organização e expressão, impulsionados pelas redes sociais na internet, representam uma nova forma de fazer política? Para responder a este e outros questionamentos, o Instituto Democracia e Sustentabilidade (IDS) promoveu na manhã desta quinta-feira, 27, "Política 2.0: Uma nova forma de fazer política?". O evento foi realizado na Sala Crisantempo, na Vila Madalena, na zona oeste de São Paulo.
Mais de 150 pessoas compareceram ao encontro, entre formadores de opinião, integrantes de movimentos sociais e de movimentos socioambientais, acadêmicos, universitários, jovens ativistas.
O evento foi dividido em três etapas: a apresentação do site novo do IDS, a divulgação da pesquisa "Política Cidadã – reflexões e caminhos" e o debate com convidados.
Inicialmente, Ricardo Young, do conselho diretor do IDS, lembrou da origem do Instituto. Depois, Marussia Whately, do IDS, apresentou o novo site do IDS. Na sequência, Suzel Figueiredo, do instituto de pesquisa Ideafix, divulgou os principais resultados da pesquisa qualitativa "Política Cidadã – reflexões e caminhos".
O estudo foi realizado no município de São Paulo com 100 jovens entre 18 e 25 anos, divididos em grupos de 8 a 12 pessoas, e mais 30 formadores de opinião selecionados a partir de uma lista de indicações baseadas em competências temáticas.
Os jovens, nos grupos, expressaram espontaneamente opiniões fortes sobre a política, associando-a a termos negativos como "nojo", "raiva" e "vergonha". Mesmo os que têm atividade política em grêmios ou em comunidades não se mostraram interessados em seguir a carreira. Ao mesmo tempo em que estão descrentes em relação à mobilização política, os entrevistados mostraram-se entusiasmados ao construir uma cidade ideal. Nela, haveria mais instâncias de participação política, mais transparência mais prestação de contas. "Eles imaginam uma democracia mais democrática", explicou Suzel.
Debate. "Política exige representação e não há experiência política no mundo sem partidos." As afirmações, tiradas dos ensinamentos de Max Weber e Maquiavel, foram citadas por Ricardo Abramovay no início do debate.
Cada um dos debatedores, em seguida, discorreu sobre a nova política, ou política 2.0, termos repetidos durante o encontro. Carla Mayumi, responsável pela pesquisa "O Sonho Brasileiro", disse que existe entre os jovens que ela pesquisou exemplos de uma "lógica de cooperação". "Estamos fazendo projetos juntos, e eles de fato acreditam no que estão fazendo", afirmou.
Ao lado de menções a movimentos expressivos e recentes da nova política, como a Primavera Árabe e Ocupe Wall Street, os debatedores lembraram a crise da representação política tradicional. O cientista político Giuseppe Cocco mencionou o termo "ditadura do centro", personificada nas figuras de José Luis Zapatero, na Espanha, e Nicolas Sarkozy, na França.
Marina falou dos excessos do mundo contemporâneo: de isolamento, de produtos, de consumo. Na política, disse a ex-senadora, o excesso se repete. "Diante do excesso de promessas (dos políticos), o que vem em seguida é a descrença", disse.
Para Marina, a política é um meio de dar fim a esse isolamento, porém, o excesso de "promessas" feitas pelos políticos tem desgastado a todos. Sobre a nova política, ela se mostrou entusiasmada. "Se sempre colocarmos (as coisas) em marcha só quando todas as condições estiverem aí, continuaríamos na idade da pedra", afirmou. "É o momento de metabolizar transformações."
Também participaram do debate, com pequenas intervenções, Chico Whitaker (Fórum Social São Paulo), Oded Grajew (Rede Nossa São Paulo e Instituto Ethos), Ladislau Dowbor (economista e professor titular da área de economia da pós da PUC-SP), José Eli da Veiga (professor da FEA-USP), Eduardo Rombauer (empreendedor de novas práticas políticas), entre outros.
Ao final do evento – transmitido na íntegra no site do IDS – os participantes aproveitaram para continuar a troca de ideias em um coquetel às 13 horas.
Escuta ativa. O IDS lançou no evento o processo da Escuta Ativa, dinâmica por meio da qual vai ouvir e também discutir com a sociedade, buscando constituir-se em um canal de participação, agregação e valorização de iniciativas em curso.
Histórico. Desde a sua fundação, em outubro de 2009, o IDS desenvolve Rodas de Conversas com pessoas de referência para discutir temas de grande relevância da agenda nacional. Entre os temas já abordados estão saúde, educação, desenvolvimento urbano, economia e segurança pública. A conversa "Política 2.0" coloca em questão se tudo o que tem sido denominado como tal oferece uma alternativa real de construção da cidadania, além da capacidade de agregação e de prospecção de novos aplicativos para a democracia.
Saiba mais sobre os participantes:
Carla Mayumi
Sócia da agência Box1824 foi uma das responsáveis pela pesquisa "O Sonho Brasileiro", um estudo aberto que ouviu os jovens brasileiros para entender a forma como enxergam o País, os papéis que se propõe a desempenhar e os cenários futuros em que se vê atuando. Tem apresentado a Box1824 em diversos eventos, como o TEDx Amazônia (2010). Por duas vezes foi palestrante do ESOMAR Qualitative Research, um evento global de pesquisa.
Giuseppe Cocco
Cientista político e professor da UFRJ, membro da Pós-Graduação da Escola de Comunicação e do Programa em Ciência de Informação (Facc-Ibict) e editor de algumas revistas. Tem experiência na área de Planejamento Urbano e Regional, com ênfase em Política Urbana.
Marina Silva
Formada em História, é Doutora Honoris Causa pela Universidade de Pequim e pela Universidade Federal da Bahia. Tem especialização em Teoria Psicanalítica e Psicopedagogia. Foi senadora, Ministra do Meio Ambiente e candidata à Presidência da República nas eleições de 2010. Ao longo de sua militância socioambiental, recebeu vários prêmios como o "Champions of the Earth", o principal prêmio da ONU na área ambiental. No final de 2007, o jornal britânico "The Guardian" a incluiu entre as 50 pessoas que podem ajudar a salvar o planeta.
Ricardo Abramovay
Professor titular da FEA e do Instituto de Relações Internacionais da USP, é pesquisador do CNPq e coordena o Projeto Temático da Fapesp sobre Impactos Socioeconômicos das Mudanças Climáticas no Brasil. Sua pesquisa é voltada ao estudo dos comportamentos dos atores sociais nos processos contemporâneos de transição para uma economia de baixo carbono.

